Pular para o texto
Índice
  1. 1Um presente, antes de tudo
  2. 2A sua ideia
  3. 3O que a pesquisa achou
  4. 4Quem já faz isso
  5. 5As regras do jogo
  6. 6Como a ideia foi ajustada
  7. 7Como o negócio funciona
  8. 8Três caminhos possíveis
  9. 9O que mais muda o resultado
  10. 10Como divulgar sem anunciar remédio
  11. 11Por que morar na Espanha
  12. 12Mudança e vistos
  13. 13Plano B: atender daqui
  14. 14Do primeiro passo ao primeiro ano
  15. 15Riscos e como contornar
  16. 16Próximos passos
  17. 17De onde vêm os números
Dra. Thaiza SouzaPlano de negócio

Para o Breno, a Thaiza e a Antonia, de Vinagre.
16 de outubro de 2026

Saúde em português. Na Espanha.

Teleconsultada Dra. Thaizana Espanha.

Uma médica brasileira, com diploma válido na Espanha, atendendo por vídeo em português e espanhol.

  • Português
  • Español
Explorar o plano

Conceito em estudo • Caso médio • Valores estimados

Dra. Thaiza Souza, médica, usando jaleco branco.
Dra. Thaiza SouzaMedicina • Teleconsulta

Resumo

Uma visão clara do potencial.

29 €

Por consulta

testando até 35 €

53.275 €

Valor mínimo que a família precisa ter

no mínimo. Pessimista: 119.715 €. Otimista: 41.500 €

≈ 3.000 €

Lucro mensal do negócio no mês 24

Pessimista: 686 €. Otimista: 9.894 €

Estimativas do caso médio, com ela atendendo sozinha. Não representam promessa de resultado.

Evolução do caixa

Caso médio · só ela atendendo · 24 meses de atendimento

Caixa acumulado (€)

    1 Carta

    Um presente, antes de tudo

    Breno,

    Você mandou um áudio de um minuto com uma ideia. Eu peguei essa ideia e fui atrás de tudo o que dava para descobrir sobre ela: quem já faz isso na Espanha, quanto cobram, o que a lei deixa e o que proíbe, quanto custa começar, quanto pode render e como vocês três podem se mudar para lá.

    Escrevi pensando em você, na Thaiza e na Antonia. Um plano desses mexe com a vida da família inteira, inclusive a de uma menina de 2 anos, então vale olhar os riscos antes de decidir. Por isso tem a parte boa e tem a parte difícil. Uma pesa mais que as outras: pelas regras de visto, você não poderá trabalhar no primeiro ano na Espanha. Está explicado na seção 12. Um plano que só mostra a parte boa não ajuda ninguém a decidir.

    Usei as palavras mais simples que achei. Quando aparecer um termo técnico, a explicação vem logo depois.

    A conclusão curta: a ideia tem futuro, desde que mude de forma e que a família tenha dinheiro para atravessar os primeiros meses. A forma nova está nas próximas páginas.

    Um abraço,
    Vinagre

    2 A ideia

    A sua ideia

    No áudio, você contou a ideia assim: a Thaiza se formou em medicina na Argentina e já tem o diploma reconhecido na Espanha. Segundo você, empresas espanholas cobram cerca de 40 € para um médico passar uma receita online, às vezes em um ou dois minutos. Ela já trabalha desse jeito para uma empresa argentina. Você perguntou: por que pagar comissão se ela pode fazer sozinha? A proposta era abrir uma página no Instagram, divulgar receita a 20 € e atender quem precisa.

    A intuição está certa em dois pontos: há gente na Espanha que precisa de médico rápido, e há empresas ganhando dinheiro com isso. Também é verdade que, trabalhando por conta própria, ela fica com a parte que iria para a empresa, descontados taxa de pagamento, seguro e contribuição de autônoma.

    O que a pesquisa mostrou é que alguns pedaços da ideia esbarram em regras. Nenhum deles mata o negócio, mas cada um muda o jeito de fazer.

    receita a 20 €

    No plano:consulta a 29 €, testando até 35 €

    em 1 ou 2 minutos

    No plano:consulta de 20 minutos na primeira vez e 15 no retorno

    divulgar no Instagram

    No plano:conteúdo educativo, indicação e comunidade, sem preço e sem remédio

    3 Pesquisa

    O que a pesquisa achou

    Gente esperando por médico

    Na Espanha, quem depende do sistema público espera em média 9,78 dias por uma consulta com o médico de família. Só 22% são atendidos no mesmo dia ou no dia seguinte. Nos últimos 12 meses, 23,7% das pessoas tiveram algum problema para conseguir consulta, e mais da metade delas (53,3%) acabou indo parar na emergência. Esses números são de uma pesquisa oficial do Ministério da Saúde espanhol, de novembro de 2025.

    Na atenção básica, o sistema público registrou cerca de 78 milhões de consultas à distância em 2024 (número de fonte não oficial, que não separa vídeo de telefone). Resolver sem ir ao posto já é comum por lá.

    9,78dias

    de espera média por uma consulta com o médico de família no sistema público

    22%

    são atendidos no mesmo dia ou no dia seguinte

    53,3%

    de quem teve problema para conseguir consulta acabou na emergência

    Quem é o público

    A Espanha tem cerca de 6,9 milhões de estrangeiros morando lá (14,1% da população, dado oficial de janeiro de 2025). Alguns grupos que importam para a Thaiza:

    • 105.990 brasileiros. É um grupo pequeno, mas é onde ela tem a maior vantagem: falar português e ter a mesma cultura do paciente.
    • 148.585 argentinos, sem contar os muitos que já têm passaporte espanhol.
    • Colombianos (676.534), venezuelanos (377.809) e peruanos (260.544), que falam espanhol e também vêm da América Latina.
    • Mais de 2,1 milhões de mulheres estrangeiras entre 15 e 49 anos, idade em que muitas usam anticoncepcional e precisam renovar a receita de tempos em tempos.

    Além de quem mora lá, a Espanha recebeu 96,8 milhões de turistas em 2025. Não existe dado de quantos deles precisam de consulta durante a viagem. O que se sabe é que há empresas vivendo disso.

    Residentes estrangeiros na Espanha, 1º de janeiro de 2025 (INE, dado oficial). Barras na mesma escala.

    Onde está a dor de verdade

    Quem está no sistema público espanhol (o SNS, que funciona como o SUS) paga só uma parte do remédio quando a receita vem do médico público. Com receita particular, paga o remédio inteiro. Por isso, o espanhol que tem acesso ao SNS tem pouco motivo para pagar uma consulta particular só pela receita.

    Quem mais precisa de uma médica como a Thaiza são as pessoas que ficam de fora ou que esbarram na fila:

    • estrangeiros que ainda não têm cartão do sistema público;
    • quem tem cartão, mas não consegue horário;
    • turistas que esqueceram o remédio ou adoeceram na viagem;
    • quem prefere explicar o que sente na própria língua.

    Esse último ponto é o mais forte. Nas páginas dos concorrentes que olhamos, nenhum anuncia atendimento em português. Falta confirmar por contato direto, porque a TravelDoc também atua no Brasil.

    • Sem cartãoainda não tem o cartão do sistema público
    • Sem horáriotem cartão, mas não acha vaga
    • De passagemesqueceu o remédio ou adoeceu na viagem
    • Quer falar portuguêsprefere explicar o que sente na própria língua

    4 Concorrência

    Quem já faz isso

    Já existe mercado, o que é bom sinal. Também existe concorrência, o que pede cuidado.

    QuemPara quemPreço da consulta com receita
    SaludOnNetespanhóis em gerala partir de 19 €
    Qsaludespanhóis em gerala partir de 29 €
    TravelDocturistas e estrangeiros33 €
    UrgentDocturistas e estrangeirosa partir de 39 €
    GpDoctorSpainestrangeiros que falam inglês55 €

    Repare em duas coisas. Os 20 € da ideia original empatam com o mais barato do mercado espanhol (SaludOnNet). E os "40 €" que você ouviu batem com o que cobram as empresas voltadas a estrangeiros: TravelDoc, UrgentDoc e GpDoctorSpain ficam entre 33 € e 55 €.

    A TravelDoc é a mais parecida com a ideia. Segundo a própria empresa, foi fundada por um médico com licença na Espanha e na Argentina. Atende turistas e estrangeiros em inglês e espanhol e tem nota 4,9 com 297 avaliações no Trustpilot (site onde clientes dão nota para empresas). A nota pode estar inflada, porque essas empresas pouco convidam clientes a avaliar.

    Onde a Dra. Thaiza se encaixa

    Nas páginas que olhamos, nenhum concorrente junta o que ela tem: português e espanhol fluente, formação argentina e CRM no Brasil (ela fez o Revalida, a prova que dá o CRM a quem se formou fora). A TravelDoc chega perto, então vale confirmar por contato direto antes de tratar isso como vantagem. Os concorrentes vendem conveniência. Ela pode vender uma médica com nome e rosto, que o paciente reconhece e que o atende na língua dele.

    Em preço e tamanho ela perde. A vantagem está no público que hoje não tem ninguém falando com ele na língua dele.

    Preço da consulta com receita. A faixa da Dra. Thaiza vai de 29 € a 35 €. Nas páginas dos concorrentes que olhamos, nenhum anuncia atendimento em português (falta confirmar por contato direto).

    5 Regras

    As regras do jogo

    Medicina na Espanha tem regras firmes. Essa é a parte menos divertida do plano e a que mais protege a Thaiza. Aqui vai o essencial, sem juridiquês.

    O que ela precisa ter antes de atender

    Colegiação. É a inscrição no Colégio de Médicos de uma província espanhola, algo parecido com o CRM no Brasil. O diploma reconhecido sozinho não basta: sem colegiação, ninguém exerce. Uma inscrição vale para atender em toda a Espanha, mas tem de ser no Colégio da província onde ela tiver o endereço profissional. Os colégios consultados pedem documento de residência e de trabalho para quem não é europeu.

    Seguro de responsabilidade civil. Um seguro que cobre erros médicos. É obrigatório por lei. O ideal é que a apólice diga com todas as letras que cobre consulta por vídeo e receita à distância.

    Autorização sanitária. Uma licença do governo da região (a "comunidade autônoma") para funcionar como serviço de saúde. Cada região trata a teleconsulta de um jeito. Essa licença gera um número de registro que precisa aparecer em toda publicidade.

    Sistema de receita eletrônica certificado. Para a farmácia aceitar a receita em qualquer lugar do país, ela precisa sair de uma plataforma aprovada pelo conselho dos médicos. Muitos colégios oferecem uma de graça para os inscritos.

    O que pode

    • Atender por vídeo, inclusive na primeira consulta, desde que seja uma consulta de verdade: identificar o paciente, ouvir, registrar tudo num prontuário e decidir com calma.
    • Fazer publicidade informativa, honesta e prudente, com o nome dela, o número de colegiada e a especialidade.
    • Mostrar o preço na página onde o paciente marca a consulta. Lá, a lei até obriga.
    • Cobrar a consulta sem IVA (o imposto sobre consumo da Espanha), porque a lei isenta a assistência médica. Se a Fazenda aceita essa isenção para um serviço visto como "receita online" é a pergunta 4, logo abaixo.

    O que não pode

    • Usar o preço para atrair paciente em anúncio ou post. O Código de Ética Médica espanhol de 2022 (artigo 93) proíbe isso com todas as letras. A punição vem do Colégio e pode chegar à suspensão.
    • Vender receita como produto. As regras tratam a teleconsulta como ato médico completo. Receita entregue em um minuto, sem conhecer o paciente, é o que a profissão chama de "banalização da assistência".
    • Anunciar remédio que exige receita. A lei espanhola proíbe, e o Instagram e o Google também.
    • Postar depoimento de paciente para atrair outros pacientes.
    • Conversar sobre a saúde do paciente pelo Direct ou pelo WhatsApp pessoal. Um médico espanhol já levou multa de 6.000 € por mandar dados de paciente por WhatsApp.
    • Receitar certos remédios controlados pela via comum, como morfina e outros opioides fortes. Outros, como calmantes fortes, a lei permite com cuidado, mas são os que mais atraem fiscalização. O plano recomenda que ela não receite nenhum deles em primeira consulta.

    Levantamento de fontes oficiais. Não substitui parecer de advogado.

    O que ainda não tem resposta

    Algumas perguntas só um advogado especializado em saúde na Espanha e o próprio Colégio conseguem responder. As principais:

    1. Em qual província ela vai se colegiar e qual autorização a região exige para um serviço só por vídeo.
    2. Onde fica a linha exata entre "informar o preço na página de marcação" (obrigatório) e "usar o preço como chamariz" (proibido).
    3. Para quais problemas de saúde o Colégio aceita receitar já na primeira consulta por vídeo.
    4. Se a isenção de IVA vale sem discussão para esse tipo de serviço.

    Por isso um dos primeiros gastos do plano é um parecer jurídico.

    6 Ajustes

    Como a ideia foi ajustada

    Juntando a pesquisa e as regras, a ideia original ganhou uma forma nova. Cada ajuste responde a um ponto da seção 5.

    A ideia no áudioComo fica no planoPor quê
    Receita a 20 €Consulta a 29 € (testando até 35 €)20 € empata com o mais barato do mercado e não é o preço que traz o paciente, já que ele não pode aparecer na divulgação
    Receita em 1 ou 2 minutosConsulta de 20 minutos na primeira vez e 15 no retornoÉ o que a regra exige e é o que dá segurança à Thaiza
    Vender a receitaVender a consulta. Se ela decidir não receitar, devolve o dinheiroA decisão de receitar é médica e precisa continuar livre
    Anunciar receita no InstagramConteúdo educativo, indicação e comunidade brasileira, sem preço e sem nome de remédioO anúncio de receita é proibido pela lei e pelo Instagram
    Para todo mundoPara quem mora na Espanha e quer ser atendido rápido, em português ou espanhol. O turista que precisar também entra, mas não é o focoÉ onde ela tem vantagem real sobre os concorrentes e de onde vêm os pacientes que voltam

    Em uma frase: uma médica brasileira na Espanha que atende online em português e espanhol.

    7 Operação

    Como o negócio funciona

    O caminho do paciente é curto:

    1. A pessoa conhece a Thaiza por um vídeo, um post ou a indicação de um amigo.
    2. Entra no site dela, vê o preço e marca um horário.
    3. Paga a consulta pelo site.
    4. É atendida por vídeo numa plataforma segura, com prontuário.
    5. Se fizer sentido, recebe a receita eletrônica, que vale em qualquer farmácia da Espanha. Se não fizer, recebe o dinheiro de volta.
    6. Quem usa remédio contínuo (anticoncepcional, pressão alta) volta de tempos em tempos para reavaliar e renovar.

    Esse último passo é o motor do negócio. Paciente que volta não custa nada para ser conquistado de novo. No caso médio, o plano supõe que 3 em cada 10 pacientes novos viram pacientes de acompanhamento e voltam mais ou menos a cada 3 meses. É uma estimativa, porque não existe dado público sobre isso. Só os primeiros pacientes vão mostrar o número real.

    Quanto custa manter

    No caminho em que ela atende sozinha, o custo fixo fica em torno de 255 € por mês no caso médio (entre 160 € e 370 €, conforme o caso): Colégio, seguro, plataforma de consulta, receita eletrônica, arquivo do prontuário, contador e ferramentas do site. Todos esses valores são estimativas e precisam de orçamento real.

    Por cima disso vem a contribuição de autônoma dela (chamada RETA, parecida com o INSS do autônomo no Brasil). No primeiro ano são 80 € por mês, se ela tiver direito à tarifa reduzida (valor de fontes não oficiais, que variam entre 80 € e 88,64 €). Depois, de 206 € a 607 € por mês, conforme quanto ela ganhar. Essa segunda faixa vem da tabela oficial de 2026.

    8 Números

    Três caminhos possíveis

    O plano compara três formas de fazer. Para cada uma há três casos: pessimista (pouca gente chega, custos no teto), médio (o ponto de partida do plano, sem garantia de ser o mais provável) e otimista (muita gente chega, custos no piso). O pessimista não é o pior caso possível. É o que a pesquisa considerou plausível com pouca gente e custos altos.

    Todos os números são estimativas, com consulta a 29 €. O "lucro" já desconta a contribuição de autônoma, mas vem antes do imposto de renda.

    O mês 1 é o primeiro mês com consulta paga. Antes dele vêm cerca de 9 meses de preparação com a mudança, sem receita (estimativa, seção 12). Daqui em diante, "mês 1" sempre quer dizer o primeiro mês com consulta paga. O "dinheiro para começar" já inclui os papéis e a viagem da Thaiza. Os da família e as reservas exigidas pela imigração estão nas seções 8 (no fim) e 12.

    Ver o caso:

    Dinheiro acumulado do negócio, mês a mês

    Cada linha começa em menos o dinheiro para começar (mês 0) e soma o lucro de cada mês de atendimento. Estimativa, consulta a 29 €.

    Caminho 1: só ela atendendo

    Ela trabalha como autônoma, aluga uma plataforma de consulta e usa a receita eletrônica do Colégio. Atende no máximo 25 horas por semana em consulta. Gasta 150 € por mês com anúncio a partir do terceiro mês.

    É o caminho mais barato para começar e o mais difícil de dar prejuízo. No caso médio, ela chega ao mês 24 de atendimento com cerca de 3.000 € de lucro por mês (antes do imposto de renda), trabalhando 17 horas por semana no total. Descontando o dinheiro para começar, termina o mês 24 com 32.825 € acumulados, o número do gráfico de abertura.

    No pessimista, o negócio só passa a pagar as próprias contas a partir do mês 8, e ao fim dos dois anos ainda faltam 6.515 € para recuperar o investimento.

    Caminho 2: ela e outros médicos

    Ela abre uma empresa, atende até 12 horas por semana e passa os pacientes que sobram para médicos parceiros, também inscritos no Colégio, que ficam com 60% de cada consulta no caso médio. O papel dela muda: passa a cuidar da divulgação e da coordenação. Gasta 400 € por mês com anúncio a partir do quarto mês.

    Dá mais lucro que o caminho 1 no caso médio, mas por uma suposição nossa, sem dado de mercado: o modelo parte de 15 pacientes novos no primeiro mês, contra 10 no caminho 1, porque imagina que a estrutura de empresa atrai mais gente. O primeiro parceiro só entra no mês 14, então esse ganho não vem dele. Cada consulta passada a um parceiro deixa só 40% com ela, e ter empresa custa uns 250 € a 300 € a mais por mês. Leitura prática: o caminho 2 é o passo seguinte do caminho 1, para quando a agenda dela encher.

    Caminho 3: plataforma própria

    Uma empresa com site e aplicativo próprios em português, espanhol e inglês, médicos parceiros contratados conforme os pacientes chegam (2 no mês 24, no caso médio), a Thaiza como diretora médica e 1.500 € por mês em anúncio desde o primeiro mês.

    O otimista impressiona, mas depende de conquistar cada paciente novo por cerca de 14 € em anúncio. Esse é o melhor caso da pesquisa, e foi calculado para anúncio com preço, que agora é proibido. No caso médio, o investimento não volta em dois anos e o lucro só paga a casa no mês 21. No pessimista, perde dinheiro todo mês, e a família precisaria de mais de 240.000 € para atravessar os dois anos.

    Quanto dinheiro a família precisa ter

    O investimento do negócio não é o único dinheiro necessário. Enquanto a consulta não paga as contas da casa, a família vive do que levou. A conta junta três partes: o investimento do negócio, os papéis e a viagem dos três, e o maior entre dois valores. O primeiro são os 36.000 € de reservas que a imigração exige no seu pedido (a conta usa um valor de referência, o IPREM 2026, que só achamos em sites de advogados). O segundo é o dinheiro para atravessar os meses sem receita até o lucro pagar a casa. Os dois não se somam, porque as reservas não ficam paradas: elas são o orçamento da família no primeiro ano.

    A cidade ainda não foi escolhida, então o custo de vida usado é uma estimativa para os três numa cidade média: 3.000 € por mês, mais o seguro saúde seu e da Antonia e a creche até ela fazer 3 anos. Nos primeiros meses, a casa custa cerca de 3.475 € por mês no caso médio. A conta não inclui nenhuma renda sua, porque no primeiro ano você não pode trabalhar.

    Valor mínimo que a família precisa ter, caso médio:

    Nos casos otimistas, o valor mínimo fica entre 41.500 € e 60.100 €, conforme o caminho. Nos pessimistas, passa de 119.000 €, porque a consulta dela sozinha não chega a pagar a casa em dois anos.

    O plano mostra só o valor mínimo, para você comparar com o que vocês têm guardado.

    Valor mínimo que a família precisa ter

    negócio e mudançao maior entre as reservas exigidas e o dinheiro para atravessar os meses sem receita

    Lucro do negócio contra o custo da casa, mês a mês

    Onde a linha de um caminho passa acima da linha do custo da casa, o lucro daquele caminho paga a casa. O custo cai nos primeiros meses porque a creche acaba. Renda do Breno = 0 nesta conta.

    O que esses números contam

    Aqui está o achado mais importante do plano, e ele merece calma. No caso médio, só com as consultas da Thaiza, a família de três ainda não se sustenta sozinha nos dois primeiros anos. No mês 24 de atendimento, o lucro (3.034 € por mês) fica cerca de 141 € por mês abaixo do custo da casa, e isso antes do imposto de renda, que aumenta a diferença. Por isso o valor de 53.275 € do caminho 1 é um piso: a diferença continua depois.

    O plano ainda fecha, com duas peças a mais que já estão no calendário:

    • A sua volta ao trabalho depois do primeiro ano. Quando a Thaiza completa um ano na Espanha, você pode pedir a mudança para uma autorização que deixa trabalhar. A lei permite, mas pede uma oferta de emprego na Espanha ou um projeto próprio, e o advogado confirma os detalhes. O modelo não conta nenhum euro da sua renda, então qualquer trabalho seu a partir daí melhora todas as contas desta página. Sem ele, a casa precisa de mais caixa.
    • O caminho 2. No caso médio, é nele que o lucro passa o custo da casa, no mês 14. Esse resultado vem sobretudo da suposição de que a estrutura de empresa atrai mais pacientes desde o primeiro mês (veja o caminho 2). Se ela não se confirmar, o caminho 2 se parece com o 1.

    O que os três juntos dizem

    Começar pelo caminho 1. Ele custa pouco, mostra rápido se o público aparece e responde as perguntas que nenhuma pesquisa responde: quantos pacientes o conteúdo dela traz e quantos voltam. Quando a agenda encher, passar ao caminho 2, que no caso médio é o único em que o lucro cobre a casa dentro de 24 meses (por uma suposição nossa, explicada no caminho 2). Em paralelo, a sua volta ao trabalho depois do primeiro ano. O caminho 3 só faz sentido depois, com números reais na mão.

    9 Simulador

    O que mais muda o resultado

    Texto que acompanha o simulador. Cada bloco explica um controle.

    Os números acima partem de suposições. Nesta parte você mexe nelas e vê o resultado mudar na hora. Os valores de partida são os do caso médio do caminho 1.

    –
    lucro do negócio por mês, no mês 24
    –
    mês em que o lucro paga a casa
    –
    valor mínimo que a família precisa ter
    –
    mês em que o dinheiro investido no negócio volta

    O preço não aparece na divulgação, então o plano supõe que mexe pouco na vontade de marcar.

    Valor no mês 12 (a subida começa menor e acompanha este número). No caso médio: 54. É a suposição que mais pesa e a mais difícil de prever.

    Quantos em cada 10 pacientes novos passam a voltar de tempos em tempos. No caso médio: 3 em cada 10.

    Aluguel, comida, transporte e contas dos três. O seguro saúde do Breno e da Antonia e a creche são somados à parte, como no plano.

    Contado em meses de atendimento. O mês 10 é o 12º mês da família na Espanha, quando a lei permite pedir a mudança para uma autorização com trabalho. No plano base, não entra renda nenhuma.

    Valor líquido por mês, a partir do mês escolhido acima.

    Renda-ponte no Brasil (estimativa)

    Dinheiro acumulado da família e do negócio, a partir da primeira consulta

    Isto é uma estimativa, não uma previsão. O simulador refaz, no seu navegador, a conta do caminho 1 (só ela atendendo) com as mesmas fórmulas e premissas do modelo financeiro. Os custos do negócio seguem o caso médio e são estimativas sem orçamento. O lucro vem antes do imposto de renda. O simulador não pergunta nem guarda quanto a família tem guardado: o valor mínimo é um número para vocês compararem fora daqui.

    Preço da consulta

    O simulador vai de 20 € a 35 €. No caso médio do caminho 1, cobrar 35 € em vez de 20 € aumenta o lucro somado dos dois anos de 27.927 € para 46.873 €. Como o preço não pode aparecer na divulgação, o plano supõe que ele muda pouco a vontade do paciente de marcar: um pouco mais de gente a 20 €, um pouco menos a 35 €. Se na vida real o preço pesar mais, a diferença diminui. Só testando para saber. A sugestão do plano é começar entre 29 € e 35 €.

    Consultas por dia

    É quantas pessoas ela atende num dia útil. O simulador multiplica esse número por 22 dias úteis no mês. No caminho 1, o que mais mexe no resultado está por trás desse número: quantos pacientes o conteúdo dela traz. Se vierem 30% menos que o previsto, o lucro dos dois anos cai para 26.079 €. Se vierem 30% mais, sobe para 56.109 €. Ninguém consegue prever esse número de fora. É por isso que o conteúdo dela é a peça mais importante do negócio.

    Pacientes que voltam

    É a parte dos pacientes novos que vira acompanhamento contínuo. Com 2 em cada 10 voltando, o lucro dos dois anos no caso médio fica em 34.147 €. Com 4 em cada 10, vai a 47.753 €. Paciente que volta é receita sem custo de conquista.

    Investimento em anúncio

    No caminho 1, o anúncio pesa pouco: sem nenhum anúncio, o lucro dos dois anos fica em 39.363 €; com o dobro, em 41.987 €. No caminho 3 acontece o contrário do que se espera: no caso médio, cortar o anúncio aumenta o lucro, porque cada paciente conquistado por anúncio custa mais do que deixa. A regra prática é testar anúncio com pouco dinheiro e só aumentar se o custo por paciente cair perto de 14 €.

    O que mais pesa no lucro de dois anos

    Caminho 1, caso médio. Cada barra mostra quanto o lucro somado dos 24 meses muda quando só aquele fator vai de um extremo a outro. A linha preta é o lucro do plano base (40.675 €). Terracota: abaixo do base. Dourado: acima.

    10 Divulgação

    Como divulgar sem anunciar remédio

    Como preço e remédio não podem aparecer na divulgação, a Thaiza atrai pacientes do jeito que médico atrai na vida real: sendo útil e sendo lembrada. São três frentes.

    Conteúdo que ensina

    Vídeos curtos e posts que respondem dúvidas reais de quem mora na Espanha. Como funciona o cartão do sistema público. O que fazer quando a farmácia pede receita. Como renovar um tratamento que vinha do Brasil. Quando ir à emergência e quando dá para esperar. São perguntas que os pacientes dela provavelmente vão repetir, e cada resposta vira um vídeo.

    Cada post leva o nome dela, o número de colegiada e o número do registro sanitário, como a lei pede. Nada de preço, nada de nome de remédio, nada de "antes e depois", nada de depoimento de paciente.

    O plano estima de 4 a 6 horas por semana para isso (estimativa).

    Indicação

    Na comunidade de imigrantes, a recomendação de um conhecido pesa muito. O plano supõe que, a cada 100 consultas, cerca de 4 pacientes novos chegam por indicação (estimativa, caso médio). Depoimento postado é proibido, mas um paciente contar para o amigo é a coisa mais natural do mundo.

    Comunidade brasileira

    Os 105.990 brasileiros na Espanha se encontram em grupos, associações, eventos e páginas da comunidade. Estar presente nesses lugares com informação útil, respondendo dúvida sem vender, é o caminho mais barato para ser conhecida. O mesmo vale depois para os grupos de argentinos e de outros latino-americanos.

    E o anúncio pago?

    Pode existir, com limites. O Instagram aceita anúncio de serviço de consulta por vídeo, desde que não cite remédio. As regras europeias proíbem mirar pessoas pela condição de saúde (por exemplo, "quem tem ansiedade"). No caminho 1, o plano reserva só 150 € por mês, para testar.

    11 Mudança

    Por que morar na Espanha

    A pergunta natural é: se o diploma já foi reconhecido e a consulta é por vídeo, por que não atender daqui? A resposta está na cadeia de exigências, um elo depois do outro.

    1. O diploma reconhecido não basta. Para exercer, a Thaiza precisa da inscrição num Colégio de Médicos espanhol (a colegiação, parecida com o CRM).
    2. O Colégio pede endereço na província e, para quem não é europeu, autorização de residência e trabalho na Espanha.
    3. A receita particular sai por uma plataforma certificada pelo conselho dos médicos (muitos Colégios oferecem uma), com o número de colegiada dela. Sem inscrição, não há receita que a farmácia aceite.
    4. O serviço precisa de licença sanitária da região e de cadastro dela como autônoma na Espanha, o que só se faz depois de entrar no país.

    Nenhuma lei diz com todas as letras "o médico tem de morar lá". Mas, somando os quatro elos, na prática ela só consegue atender morando na Espanha. A pesquisa leu as regras de 11 dos 52 colégios do país (de um 12º, Sevilha, não achou a página). Em nenhum deles a pesquisa achou inscrição para atender de quem mora e trabalha fora, e vários exigem endereço profissional na província. Os outros não foram conferidos. O advogado confirma no primeiro passo se existe alguma exceção.

    Dá para fazer a inscrição do Brasil?

    Em parte. Dos 8 colégios que descrevem o passo a passo, nenhum prevê concluir a inscrição sem ela ir pessoalmente, com os documentos originais. Em Madrid, Barcelona, Valência e Málaga isso está escrito. Nos outros quatro, a página não diz com essas palavras: aparece original, hora marcada ou entrevista. Barcelona diz que nem procurador pode ir no lugar dela.

    Mas quase toda a papelada sai daqui:

    • O NIE (o número de identificação de estrangeiro na Espanha) se pede no consulado espanhol.
    • O certificado de boa conduta profissional (o papel que diz que ela está regular e sem punição no conselho médico) sai do CRM e da matrícula argentina dela. Vale levar os dois.
    • Os antecedentes criminais do Brasil e da Argentina saem com apostila (o carimbo que valida um papel brasileiro no exterior). Esses e o certificado de boa conduta valem só 3 meses, então convém tirar perto da viagem.
    • Em Madrid há pré-inscrição online, mas o formulário pede endereço espanhol e conta bancária espanhola (o IBAN). Em Málaga o Colégio confere os documentos escaneados antes, e a inscrição pede conta e cadastro de residência na Espanha. Falta confirmar o que vale na fase online. Com isso resolvido, a ida à sede vira uma visita só.

    Para atender, a inscrição tem de ser "com exercício", e essa exige autorização de residência e trabalho. Entre os Colégios lidos, só Barcelona aceita inscrever "sem exercício" quem ainda não tem a autorização. Essa inscrição não deixa atender nem receitar, pede endereço na província de Barcelona, cobra a mensalidade do Colégio mesmo assim e também só se faz em pessoa. Pode servir para adiantar a burocracia, e o advogado diz se ajuda no pedido de visto.

    E o convênio entre a Argentina e a Espanha? A Thaiza se formou na UBA (Universidade de Buenos Aires). O acordo que vale hoje é de 2017, em vigor desde 27 de dezembro de 2018. Ele trata só do reconhecimento do diploma, que ela já fez. O próprio texto diz que o resto (inscrição no Colégio, residência, trabalho) segue as regras do país. Ou seja, o convênio não encurta nada daqui para a frente.

    O que dá para adiantar daqui

    Atender, não. Mas muita coisa anda antes da mudança:

    • A papelada: NIE, certificados de boa conduta do CRM e da Argentina, antecedentes criminais, apostilas, traduções e o pedido no consulado. Em Madrid e Málaga, até a conferência dos documentos do Colégio.
    • O site pronto para entrar no ar.
    • O Instagram: criar o perfil e gravar uma reserva de vídeos educativos, sem preço e sem remédio.
    • Uma lista de espera de pessoas interessadas.

    Um cuidado: enquanto ela não tiver número de colegiada e registro sanitário, publicar como serviço de consulta, colocar o site no ar ou abrir a lista de espera pode contar como publicidade irregular. O advogado de saúde diz o que pode ir ao ar antes e o que espera a inscrição.

    12 Vistos

    Mudança e vistos

    A Thaiza, você e a Antonia vão juntos, desde o primeiro dia. Para isso, são dois pedidos no mesmo consulado, com o seu entrando umas 6 a 8 semanas depois do dela. O consulado é o do país onde cada um tem residência legal. Como vocês moram no Brasil, o mais provável é um consulado da Espanha no Brasil. Confirmar isso é o primeiro assunto com o advogado de imigração.

    O visto da Thaiza: autônoma

    Como ela não tem cidadania europeia, o caminho é a autorização de residência e trabalho por conta própria: o visto feito para quem vai abrir o próprio consultório. Ela pede no consulado, com um plano de negócio, prova de que tem dinheiro para começar, o diploma reconhecido e os pedidos de colegiação e de licença em andamento.

    • Prazo até a primeira consulta paga: de 7 a 10 meses a partir do início da papelada (estimativa; o plano usa 9). Se o governo atrasar ou pedir mais documentos, pode chegar a 12.
    • O visto vale um ano e depois é renovado por quatro. A renovação pede atividade contínua e impostos e contribuições em dia.
    • No primeiro ano, o visto fica preso a uma região da Espanha. A escolha da província vale para tudo: Colégio, licença sanitária e escritório de imigração.

    O seu visto e o da Antonia: residência sem trabalho

    O visto da Thaiza não leva a família no primeiro ano. Por isso você pede, num segundo pedido, uma residência não lucrativa: um visto para quem vai morar na Espanha vivendo de dinheiro guardado. A Antonia entra nele como sua filha.

    • Reservas exigidas: 36.000 € para você e a Antonia, o que cobre um ano de vida dos dois pela regra oficial. Esse dinheiro é o orçamento da casa no primeiro ano, enquanto a consulta da Thaiza cresce.
    • O histórico da conta importa. O consulado olha o saldo do fim do ano anterior e o saldo médio dos últimos 12 meses. Dinheiro depositado de última hora pesa contra. Antes de mexer no dinheiro das reservas, fale com o advogado de imigração.
    • Seguro saúde particular é obrigatório para você e a Antonia. Na prática, os consulados pedem apólice sem carência e sem coparticipação. Para os dois, de 1.400 € a 2.800 € por ano (estimativa, sem cotação).
    • Você não pode trabalhar no primeiro ano, nem à distância para clientes do Brasil. Depois de um ano lá, a lei permite pedir a mudança para uma autorização com trabalho, sem sair da Espanha e sem visto novo, mas exige uma oferta de emprego na Espanha ou um projeto próprio com investimento. Se não mudar, a residência sem trabalho pode ser renovada por mais 2 anos, com 72.000 € de reservas e mais de 183 dias por ano na Espanha. Se dá para mudar antes de um ano, o advogado confirma.
    • O tempo dos pedidos é combinado. O seu pedido sai mais rápido que o dela, então entra umas 6 a 8 semanas depois (estimativa), para os vistos ficarem prontos juntos. A viagem dos três fica por volta do sexto ou sétimo mês de papelada. O advogado acerta as datas.

    A Antonia lá

    • Escola: na Espanha, a educação infantil de 3 a 6 anos é gratuita na rede pública e na escola concertada (particular com convênio). Gratuita quer dizer sem mensalidade. Merenda, refeitório e material podem ser cobrados, e a pesquisa não verificou. A Antonia nasceu em 5 de outubro de 2024 e faz 3 anos em outubro de 2027. Pela regra comum de entrar em setembro do ano em que a criança faz 3, a vaga dela seria em setembro de 2027 (cada região aplica as datas, e a prefeitura confirma). Se a papelada começar em outubro ou novembro de 2026, a viagem cai por volta de abril ou maio de 2027. A matrícula de setembro costuma abrir na primavera, e quem chega depois do prazo entra pela admissão extraordinária (fonte não oficial). Os meses entre a chegada e setembro são de creche, uns 4 ou 5. O modelo conta 6 meses no caso médio, por segurança.
    • Creche de 0 a 3 anos: depende da região, e a cidade ainda não foi escolhida. Por isso o plano usa um valor médio. Para comparar, segundo notas de imprensa de 2026 (não conferimos nos sites oficiais): a Galícia anuncia creche gratuita no curso 2026-27; Madrid tem rede pública e bolsas de 1.947 € a 3.113 € por ano para creche particular; na Andaluzia só a faixa de 2 a 3 anos é gratuita. Uma creche particular sem bolsa custa de 300 € a 600 € por mês (estimativa).
    • Saúde: enquanto vocês dois estiverem na residência não lucrativa, o atendimento é pelo seguro particular, e não pelo sistema público. A Thaiza, inscrita como autônoma, deve entrar no sistema público (a pesquisa não confirmou). Se a região dá cartão de saúde pública para criança nessa situação é pergunta para o advogado ou para o posto de saúde.
    • A situação da Antonia segue a sua. Quando você mudar de autorização, a dela precisa ser refeita junto.

    Quanto custa mudar

    Fora as reservas e o custo de vida, os papéis e a viagem dos três custam entre 3.500 € e 9.000 € (soma das estimativas da pesquisa, sem orçamento): taxas oficiais, documentos com apostila e tradução juramentada, advogado de imigração e passagens. Juntando o negócio, a mudança e o maior entre as reservas e o dinheiro para atravessar os meses sem receita (seção 8), o valor mínimo no caso médio é de 53.275 € se ela atender sozinha (e a diferença continua depois) e de 47.900 € com outros médicos entrando quando a agenda encher.

    O mês 12, um marco

    Quando a Thaiza completa um ano lá, três coisas acontecem perto da mesma data: ela renova o visto, você pede a mudança para uma autorização que deixa trabalhar (com oferta de emprego ou projeto próprio) e a autorização da Antonia é refeita. Vale começar a preparar essas papeladas com o advogado alguns meses antes.

    Um horizonte bom

    Brasileiros podem pedir a nacionalidade espanhola depois de 2 anos de residência legal (falta confirmar com o advogado quais vistos contam para esse prazo). Com a nacionalidade, as restrições de visto deixam de existir. É um horizonte de três anos ou mais, que pesa a favor dos caminhos 2 e 3 lá na frente.

    Nota de rodapé: a pesquisa também olhou o visto de nômade digital, que seria mais rápido (4 a 6 meses) e deixaria você trabalhar desde o começo. Ele exige trabalho à distância para empresa de fora da Espanha, o que não é o seu caso. Por isso ficou fora do plano.

    13 Plano B

    Plano B: atender daqui

    Você perguntou se a Thaiza pode atender pacientes da Espanha morando no Brasil, com a receita valendo numa farmácia de lá. A resposta curta é não. Mas existe um caminho a distância que funciona desde já, e ele pode ajudar o plano principal.

    Espanha, daqui

    • Receita: a receita de fora da Europa não vale na farmácia espanhola.
    • Colégio: a inscrição exige endereço profissional na província e residência na Espanha.

    Brasil, já

    • CRM: vale para o país todo em consulta por vídeo.
    • Receita digital: de graça, pelo CFM.
    • Preço no anúncio: pode, ao contrário da Espanha.
    • Começo: em dias.

    Por que a Espanha não dá daqui

    São dois bloqueios, e os dois estão em texto oficial.

    1. Receita de fora da Europa não vale na farmácia espanhola. A lei espanhola só manda aceitar receita de outro país da União Europeia. Receita brasileira ou argentina não entra nessa regra.
    2. Para fazer receita espanhola, ela precisa ser inscrita num Colégio de lá. A pesquisa leu as regras de 11 dos 52 Colégios. Em nenhum a pesquisa achou inscrição para quem mora e trabalha fora. Vários pedem endereço profissional na província. Os que explicam o caso de quem não é europeu pedem residência e trabalho na Espanha para atender (Barcelona inscreve "sem exercício", e essa inscrição não deixa receitar). A assessoria jurídica do Colégio de Málaga chega a dizer que se inscrever onde não se exerce a medicina é ilegal. Os outros Colégios não foram conferidos.

    Orientar sem passar receita também não resolve. Pela lei espanhola, avaliar sintomas e orientar já é ato médico. Fazer isso sem inscrição fica numa zona cinzenta: o Colégio pode agir, o seguro de responsabilidade civil talvez não cubra, e não sabemos qual seria a sanção. Além disso, tende a vender pouco, porque quem procura esse serviço quer a receita (leitura nossa).

    O caminho que já funciona: o Brasil

    No Brasil, ela já tem CRM, e isso abre o país inteiro.

    • Um CRM vale para o país todo em consulta por vídeo. A lei de 2022 dispensa a inscrição em outros estados para quem atende só por telessaúde.
    • A receita digital é de graça. O Conselho Federal de Medicina (CFM) dá a todo médico o certificado digital e uma plataforma de receita que qualquer farmácia do Brasil confere.
    • No Brasil pode anunciar o preço da consulta, o contrário da Espanha. Continua proibido prometer receita no anúncio, e o CFM veda participar de propaganda de medicamento. Meta e Google restringem remédio em anúncio de telemedicina. A receita é consequência da consulta.
    • A parte técnica leva dias, se o CRM dela estiver ativo. A pesquisa ainda não sabe em que estado é o CRM nem se há especialidade registrada. Os passos: avisar o CRM que vai usar telemedicina, ativar a receita digital do CFM, ter um prontuário eletrônico, registrar o consentimento de cada paciente e combinar com um contador como receber (pessoa física ou empresa). Imposto de renda e INSS sobre esse dinheiro entram na conta.

    Duas regras do CFM (Resolução 2.314/2022, art. 6º) limitam um negócio só online, e o plano precisa respeitá-las. A primeira consulta pode ser por vídeo, mas o texto manda dar seguimento com consulta presencial. E em doença crônica (a que pede acompanhamento por muito tempo), o paciente precisa de consulta presencial com o "médico assistente" dele em intervalos de no máximo 180 dias. O texto não diz se esse médico pode ser outro que não ela, e o CRM responde. Se tiver de ser ela, só poderia acompanhar crônicos que consigam ir até ela (leitura nossa). Na leitura da pesquisa, renovar receita de uso contínuo só serve para quem já tem acompanhamento presencial recente, e as plataformas pedem a receita anterior. O plano recomenda deixar remédio controlado de fora.

    Quanto o mercado paga (preços de terceiros, sem conferência; contas da pesquisa, estimativa):

    • Consulta online avulsa com clínico: de R$ 39,90 a R$ 79. Renovação de receita: de R$ 13,99 a R$ 69,90. A pesquisa achou mais de uma dúzia de empresas nessa faixa, com muito anúncio.
    • Agenda própria a R$ 79, com 8 consultas por dia, 22 dias por mês: cerca de R$ 13.900 por mês brutos, antes de imposto e de custos (uns 2.490 €, no câmbio de 16/10/2026: 1 € = R$ 5,58). É a agenda cheia, que leva tempo para construir. Não é o ponto de partida.
    • Como contratada, em plantões de 6 horas em casa a cerca de R$ 100 por hora (valor anunciado por uma empresa, a Otyma): cerca de R$ 13.200 por mês brutos, se ela fechar 22 plantões por mês. A pesquisa não confirmou que há vaga. Ela não gasta para conquistar paciente porque a plataforma traz o paciente.

    A "receita a 20 €" da ideia original já existe no Brasil a menos de R$ 70. Uma médica sozinha dificilmente ganha essa briga no preço. O que pode diferenciar é a consulta com tempo e retorno, o nome e o rosto dela, uma especialidade (se tiver) ou um tema que ela domine. A pesquisa sugere começar com plantões como contratada, para ter uma renda mais previsível, e montar a agenda própria aos poucos.

    Um nicho e duas opções secundárias

    • Brasileiros que moram fora do Brasil (cerca de 4,9 milhões, dado oficial de 2023). O CRM de Goiás respondeu em 2025 que o médico com CRM pode atendê-los por vídeo, com três condições: a primeira consulta tem de ser seguida de uma presencial, doença crônica pede presencial a cada 180 dias, e o envio de remédio segue a lei do país de destino. Para quem mora longe, a presencial só acontece quando a pessoa visita o Brasil (leitura nossa). É o parecer de um CRM, e não uma regra do CFM. O do Paraná (2022) foi contra em um caso de médico que mora fora e atende uma cooperativa. Falta ainda a lei do país do paciente: na Espanha, por exemplo, orientar já é ato médico (veja acima), então esse nicho não resolve o público espanhol. A receita brasileira, em princípio, só vale no Brasil, e isso precisa estar escrito na página. O produto que cabe é orientação, segunda opinião, leitura de exames e plano para a próxima viagem ao Brasil.
    • Argentina: ela já trabalha para uma empresa argentina e conhece o sistema. O preço é baixo: cerca de US$ 13 por pedido de receita em um site e US$ 6 por mês de assinatura com consultas ilimitadas em outro (preços de terceiros). Há duas dúvidas abertas: a regra argentina fala em atendimento "dentro do território nacional", e não está claro se vale para quem atende morando no Brasil; e a renda de lá seria declarada nos dois países. Um contador de cada lado responde. Serve como complemento em espanhol.
    • Chile: reconhece diploma argentino por convênio, se o curso tiver a acreditação exigida. A pesquisa estima uns 3 meses (estimativa) e não conferiu se ela poderia atender o Chile do Brasil. Fica como opção para depois.

    A ponte: começar no Brasil enquanto a papelada da Espanha anda

    Do primeiro papel até a viagem, são uns 6 ou 7 meses. Nesse tempo, a Thaiza pode atender no Brasil com o CRM, se ele estiver ativo. O que isso traz:

    • Renda nos meses de espera, sem mexer nas reservas que o visto exige. Essa renda deve entrar numa conta separada, porque o consulado olha o histórico da conta das reservas (seção 12).
    • Experiência em consulta por vídeo: rotina, prontuário, tempo de cada atendimento e o que os pacientes mais pedem.
    • Um começo de público em português. Quanto dele serve na Espanha é incerto: quem a segue no Brasil não vira paciente dela lá, e a divulgação na Espanha segue outras regras (sem preço, sem remédio). Vale perguntar ao advogado de saúde se o mesmo perfil pode servir aos dois países, já que no Brasil ela vai anunciar o preço (leitura nossa; a pesquisa não tratou disso).

    Quanto a ponte pode render (estimativa do modelo financeiro, caso médio, caminho 1):

    • Com 8 consultas por dia a R$ 79 e a agenda enchendo em 4 meses, depois de imposto, contador e plataforma, sobram cerca de 2.217 € por mês com a agenda cheia.
    • Nos 6 meses antes da mudança, ela guarda cerca de 9.976 €.
    • Com isso, o valor mínimo que a família precisa ter cai de 53.275 € para 45.600 €. Não cai mais porque os 36.000 € de reservas do seu pedido continuam exigidos: o consulado olha o histórico de 12 meses daquela conta, e o dinheiro da ponte não entra nele.

    O modelo da seção 8 não conta essa renda. Ela aparece só aqui e num interruptor do simulador.

    Continuar atendendo o Brasil depois de se mudar é outra história, e o plano não conta com isso. Se for permitido, a renda da casa (consulta na Espanha mais a do Brasil) passa a cobrir o custo de vida a partir do mês 8 de atendimento, no caso médio. O preço é trabalho: cerca de 13 horas a mais por semana para ela, além das da consulta espanhola. Três respostas precisam chegar por escrito antes de qualquer decisão:

    • O CRM dela (Brasil): a resolução do CFM permite a telemedicina "dentro do território nacional" e não diz se isso vale para a médica morando fora. A pesquisa achou dois pareceres de CRM que se contradizem: o de Goiás (2025) aceitou paciente que mora no exterior, e o do Paraná (2022) foi contra em um caso de médico que mora fora e atende uma cooperativa. Pergunta ao CRM dela: "Posso atender por telemedicina pacientes que estão no Brasil enquanto moro na Espanha?"
    • O advogado espanhol: (a) ela pode atender pacientes que estão no Brasil estando na Espanha? (b) o visto de autônoma, preso a uma atividade e a uma região no primeiro ano, permite essa renda? (c) como essa renda é declarada nos impostos espanhóis?
    • Um contador no Brasil: o que muda no imposto daqui quando ela deixa de morar no país (pergunta nossa; a pesquisa não cobriu).

    Até essas respostas chegarem, o plano conta o Brasil só como ponte, até a mudança.

    14 Passo a passo

    Do primeiro passo ao primeiro ano

    A ordem importa mais do que a velocidade. Cada passo destrava o próximo. Pela pesquisa de imigração, são de 7 a 10 meses do primeiro papel até a primeira consulta paga (estimativa). Os meses antes da primeira consulta aparecem aqui como "meses de preparação".

    Ainda no Brasil (meses de preparação 1 a 3, mais ou menos)

    Em paralelo a tudo abaixo, assim que o CRM dela for confirmado como ativo: começar a atender no Brasil (seção 13), até a viagem. Avisar o CRM, ativar a receita digital do CFM, procurar plantões de telemedicina, combinar com um contador no Brasil como receber e montar a agenda própria aos poucos. Essa renda entra numa conta separada das reservas do visto, e o advogado de imigração fica sabendo dela. O atendimento no Brasil termina na viagem. Se pode continuar depois, depende das respostas do CRM e do advogado espanhol (seção 13).

    1. Escolher a província. Ela define o Colégio, a licença sanitária e o escritório de imigração, e não dá para trocar no primeiro ano.
    2. Contratar os dois advogados: um de imigração e um de saúde, para responder as perguntas da seção 5. O parecer de saúde custa de 800 € a 2.000 € (estimativa).
    3. Falar com o Colégio e perguntar que documento ele dá para comprovar que a inscrição está em andamento. O pedido de visto pede a inscrição em andamento, e o Colégio pede a autorização. A pesquisa não achou fonte oficial de um papel que destrave isso, então a pergunta vai também para o advogado de imigração. Em Madrid e Málaga dá para começar online, mas os dois pedem endereço e conta bancária na Espanha: perguntar o que aceitam de quem ainda não chegou. A visita final fica para a chegada.
    4. Pedir o NIE no consulado espanhol. O certificado de boa conduta (CRM e Argentina) e os antecedentes criminais do Colégio valem só 3 meses: tirar os dois perto da viagem, não agora.
    5. Juntar os documentos dos três: antecedentes criminais de cada adulto (dos países onde cada um morou nos últimos 5 anos; valem 3 meses, então tirar perto do prazo), atestado médico, certidão de casamento, certidão de nascimento da Antonia, extratos bancários, apostilas e traduções juramentadas.
    6. Contratar o seguro saúde particular para você e a Antonia.
    7. Entregar o pedido da Thaiza no consulado. Umas 6 a 8 semanas depois, entregar o seu, com a Antonia, para os vistos saírem juntos.

    Enquanto o visto não sai

    1. Criar o perfil no Instagram e gravar uma reserva de vídeos educativos, sem preço e sem remédio. O advogado de saúde diz o que já pode ir ao ar.
    2. Montar o site, escolher a plataforma e abrir a lista de espera, também com o aval do advogado.
    3. Pedir orçamentos de seguro profissional, plataforma de consulta e contador.
    4. Escolher a cidade e olhar escola ou creche para a Antonia.

    Na chegada (viagem dos três por volta do mês 6 ou 7 de preparação)

    1. Registrar o endereço na prefeitura (o "empadronamiento"), que também é pedido na matrícula da Antonia, e pedir o cartão de residência dos três em até 1 mês da chegada.
    2. Matricular a Antonia na escola ou na creche. A matrícula de setembro costuma abrir na primavera, então vale perguntar à prefeitura da cidade escolhida qual é o prazo.
    3. Ir ao Colégio com os documentos originais para concluir a inscrição (com exercício, já com a autorização de residência e trabalho; alguns Colégios pedem o cartão de residência). Boa conduta e antecedentes precisam ter menos de 3 meses nesse dia, contratar o seguro profissional e se inscrever como autônoma, tudo antes de qualquer consulta.
    4. Pedir a licença sanitária e ativar a receita eletrônica.
    5. Começar a publicar a reserva de conteúdo.
    6. Primeira consulta paga (mês 7 a 10 de preparação).

    Os primeiros 90 dias de atendimento

    1. Entrar na comunidade brasileira com informação útil.
    2. Atender os primeiros pacientes e anotar tudo: de onde vieram, o que precisavam, se voltaram.
    3. Testar o preço entre 29 € e 35 €.

    Até o fim do primeiro ano

    1. Fechar o piloto (os primeiros 50 a 100 pacientes, atendidos como teste). Com ele, as três suposições mais frágeis do plano viram números reais: quantos pacientes o conteúdo traz, quantos voltam e quantos se perdem por mês.
    2. Testar anúncio com pouco dinheiro e medir o custo de cada paciente conquistado.
    3. Definir o seu caminho de trabalho: uma oferta de emprego na Espanha ou um projeto próprio, com o advogado de imigração, a partir do sexto mês lá.
    4. Cuidar do marco do mês 12 na Espanha: a renovação do visto da Thaiza, o seu pedido de mudança para uma autorização com trabalho, ou a renovação da residência sem trabalho, e a nova autorização da Antonia. Começar com o advogado alguns meses antes.
    5. Refazer as contas com os números reais e decidir se, e quando, abrir espaço para outros médicos.

    Ponto de referência do caso médio no 12º mês de atendimento: cerca de 88 consultas por mês e 1.900 € de lucro mensal (estimativa, não promessa).

    15 Riscos

    Riscos e como contornar

    O que pode dar erradoComo contornar
    A consulta dela sozinha não paga a casa nos dois primeiros anos (caso médio)Preparar desde o início a sua volta ao trabalho (oferta de emprego na Espanha ou projeto próprio, com o advogado), trazer outros médicos quando a agenda dela encher (caminho 2) e manter reserva além do valor mínimo.
    Os vistos dela e da família não saem ao mesmo tempoDeixar o advogado acertar a data de cada pedido. Não movimentar o dinheiro das reservas antes de combinar com o advogado como comprovar o saldo (o consulado olha o saldo de 31 de dezembro do ano anterior e a média dos últimos 12 meses).
    O visto ou a colegiação demoram mais que o previstoComeçar pela papelada e pelos advogados. Não gastar com marca ou anúncio antes de ter o número de colegiada. Ter reserva para alguns meses a mais.
    A plataforma de receita eletrônica sai do ar. Uma das plataformas certificadas, a Docline, está suspensa para receitas novas desde 8 de setembro de 2026Usar a plataforma do Colégio e ter uma segunda opção certificada já testada.
    Um post ou anúncio fere as regras de publicidade médicaNada de preço, remédio ou depoimento na divulgação. Pedir ao advogado que revise os primeiros posts.
    O conteúdo demora a trazer pacientesÉ o maior risco do plano. Por isso o caminho 1 tem custo fixo baixo e aguenta meses lentos. Mesmo assim, no caso pessimista o valor mínimo da família passa de 119.000 € (seção 8). Se em seis meses de atendimento os pacientes estiverem muito abaixo do caso médio, é hora de parar e refazer as contas (no mês 6, o caso médio prevê 45 consultas por mês e o pessimista 19). Gravar a reserva de conteúdo antes da mudança ajuda a começar com algum público.
    Poucos pacientes voltamTratar bem o acompanhamento contínuo e medir desde o primeiro mês. Se a volta for baixa, ajustar o público, por exemplo focando em quem usa remédio de uso contínuo.
    Dados de saúde vazam ou circulam pelo WhatsAppTudo clínico dentro da plataforma segura. Direct e WhatsApp só para assuntos de agenda.
    O meio de pagamento recusa o negócioO Stripe (empresa de pagamento online) exige aprovação prévia para consulta médica. Pedir antes de lançar ou usar o pagamento da própria plataforma de consulta.
    A Fazenda espanhola discute a isenção de IVAPedir ao contador que confirme antes de abrir. A isenção está na lei. Não encontramos decisão da Fazenda sobre este caso específico, a consulta online com receita.
    Um concorrente grande passa a atender em portuguêsA vantagem dela continua sendo pessoal: nome, rosto e relação. Construir isso cedo.

    Um aviso: quase todos os custos do plano são estimativas. Os números exatos só aparecem com orçamentos reais e com os primeiros pacientes.

    16 Decisão

    Próximos passos

    Se a ideia continuar fazendo sentido depois desta leitura, a ordem é esta:

    1. Comparar o valor mínimo necessário (seções 8 e 12) com o que vocês têm guardado.
    2. Contratar um advogado de imigração e um de saúde, e confirmar com o primeiro a residência e a nacionalidade de cada um.
    3. Escolher a província e confirmar com o Colégio os documentos e a receita eletrônica.
    4. Pedir orçamentos reais de seguro, plataforma e autorização, e atualizar o plano com eles.
    5. Começar pelo caminho 1, com o piloto de 50 a 100 pacientes.

    Breno, a ideia que você mandou num áudio virou um plano com começo, meio e riscos à vista. Ficou diferente de "receita a 20 €", porque agora protege a Thaiza e o nome dela. Os números são estimativas, e a viabilidade ainda depende de um advogado de saúde e de um de imigração. Que esse plano ajude vocês três a decidir com calma.

    Vinagre16 de outubro de 2026

    17 Fontes

    De onde vêm os números

    Todas as fontes foram acessadas em 16/10/2026. Os arquivos completos estão na pasta 01-pesquisa/.

    Dados oficiais

    • População e estrangeiros por nacionalidade: INE (Instituto Nacional de Estatística da Espanha), Estadística Continua de Población, 1º de janeiro de 2025.
    • Espera por consulta e dificuldade de acesso: Ministério da Saúde da Espanha, Barómetro Sanitario, 3ª onda, novembro de 2025 (2.427 entrevistas).
    • Turistas em 2025: nota oficial do governo espanhol (La Moncloa), fevereiro de 2026.
    • Contribuição de autônomo (RETA): Orden PJC/297/2026, publicada no Boletim Oficial (BOE) em 31/03/2026.

    Leis e regras

    • Colegiação: Lei 2/1974 dos Colégios Profissionais e Lei 44/2003 das profissões de saúde; páginas dos Colégios de Ourense, Málaga e Madrid.
    • Seguro obrigatório: Lei 44/2003, art. 46.
    • Autorização sanitária e número de registro na publicidade: Real Decreto 1277/2003.
    • Receita médica eletrônica: Real Decreto 1718/2010 e página de receita privada do Conselho Geral de Colégios Médicos (CGCOM).
    • Ética médica, telemedicina e proibição de preço na publicidade: Código de Deontologia Médica de 2022 (arts. 80, 81, 89, 90 e 93) e nota do CGCOM de julho de 2021.
    • Publicidade de saúde e de remédios: Real Decreto 1907/1996 e Real Decreto Legislativo 1/2015, art. 80.
    • Isenção de IVA: Lei 37/1992, art. 20.
    • Prontuário guardado por 5 anos: Lei 41/2002.
    • Proteção de dados: Regulamento europeu de proteção de dados e Lei Orgânica 3/2018.
    • Vistos, residência e família: Regulamento de Estrangeiros (Real Decreto 1155/2024 e a alteração do Real Decreto 316/2026, incluindo a residência não lucrativa e as reservas exigidas), Lei Orgânica 4/2000, Lei 14/2013, Código Civil art. 22 (nacionalidade), Lei 16/2003 (acesso à saúde pública), Lei Orgânica 2/2006 de Educação (escola infantil gratuita de 3 a 6 anos), página do Ministério de Inclusão sobre trabalho por conta própria e páginas dos consulados da Espanha em São Paulo e Buenos Aires.
    • Regras de anúncio: políticas oficiais da Meta (Instagram e Facebook) e do Google para remédios e telemedicina.
    • Plano B (Brasil): Lei 14.510/2022 (telessaúde), Resoluções CFM 2.314/2022 (telemedicina) e 2.336/2023 (publicidade médica), certificado digital e plataforma de prescrição do CFM, parecer do CRM-GO 2/2025 (brasileiros no exterior, que cita um parecer contrário do CRM-PR), estatística do Itamaraty sobre brasileiros no exterior (2023).
    • Plano B (Argentina e Chile): Ley 27.553 e Decreto 98/2023 (Argentina); ChileAtiende e Superintendência de Seguridade Social (Chile).
    • Receita de outro país na Espanha: Real Decreto 1718/2010, art. 15 bis; regras de colegiação lidas em 11 dos 52 Colégios (Madrid, Barcelona, Girona, Valência, Alicante, Baleares, Álava, Málaga, Ourense, Santa Cruz de Tenerife e Las Palmas, este pelo estatuto de 2025); a página de Sevilha não foi localizada, e os outros não foram conferidos.
    • Inscrição a distância: páginas de inscrição dos Colégios de Madrid, Barcelona, Valência, Málaga, Alicante, Baleares (só em resumo, a página não abriu para salvar), Girona e Ourense; Lei 2/1974, art. 3.2; Lei Orgânica 4/2000, art. 36 (autorização de residência e trabalho); Estatutos da Organização Médica Colegial, arts. 35, 37 e 41 (exercício, estrangeiros e inscrição sem exercício); Real Decreto 1155/2024, art. 205.4 (NIE pelo consulado); Acordo Argentina–Espanha de reconhecimento de títulos de 2017, em vigor desde 27/12/2018 (BOE 18/01/2019).

    Fontes não oficiais (de terceiros, sem conferência no original)

    • Teleconsultas do sistema público em 2024: tabela do Ministério da Saúde, via resumo de busca.
    • Preços e reputação dos concorrentes: sites de SaludOnNet, Qsalud, TravelDoc, UrgentDoc e GpDoctorSpain, e páginas do Trustpilot.
    • Perda mensal de pacientes em serviços de saúde por assinatura: blogs do setor (Rimo, Eightx, Chargebee).
    • Custo de anúncio em saúde: Superads.
    • Tarifa reduzida de 80 € do RETA: fontes que divergem entre 80 € e cerca de 88,64 €.
    • Câmbio de 16/10/2026: 1 € = R$ 5,58 (GZH) e 1 US$ = ARS 1.530 (Banco Nación, via TN).
    • Preços de consulta online no Brasil e na Argentina e valor de plantão de telemedicina: sites das empresas e comparadores (outubro de 2026).
    • Algumas taxas de imigração e o valor do IPREM 2026, base das reservas de 36.000 €: sites de escritórios de advocacia.
    • Preço do seguro saúde para a residência não lucrativa e regras de creche de 0 a 3 anos por região: comparadores privados e notas de imprensa.

    Estimativas do plano (sem dado de mercado)

    • Quantos pacientes o conteúdo traz por mês, quantos voltam, quantos chegam por indicação e quantos se perdem por mês.
    • Todos os custos fixos e de abertura (Colégio, seguro, plataforma, contador, advogado, site, autorização).
    • Custo por paciente conquistado com anúncio (conta feita a partir de custo por clique e taxa de conversão supostos).
    • Divisão da consulta com médicos parceiros (60% para o parceiro no caso médio do caminho 2).
    • Tempo de preparação e de visto antes da primeira consulta (7 a 10 meses).
    • Custo da mudança dos três (3.500 € a 9.000 €, soma das estimativas da pesquisa), seguro saúde do Breno e da Antonia (1.400 € a 2.800 € por ano), creche particular (300 € a 600 € por mês) e custo de vida dos três na Espanha (3.000 € por mês no caso médio, 2.500 € no otimista e 3.600 € no pessimista).
    • Contas do Plano B: R$ 13.900 por mês (R$ 79 por consulta, 8 por dia, 22 dias) e R$ 13.200 por mês (R$ 100 por hora, 6 horas por dia, 22 dias), sobre preços de terceiros; renda-ponte de 2.217 € por mês com a agenda cheia e 9.976 € guardados em 6 meses (agenda enchendo em 4 meses, Simples Nacional a 6%, R$ 700 por mês de contador e plataforma). Prazo do Chile (uns 3 meses).

    O modelo financeiro completo, com as 24 linhas mensais de cada caminho e caso, está em 02-plano/modelo-financeiro.md e 02-plano/modelo-financeiro.json.

    Este documento é um plano em rascunho. Os valores são estimativas, não promessa. Não substitui parecer de advogado nem de contador.